Há 3 dias
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Agostinho Branquinho Sujinho
Foi um dos rostos da comissão de inquérito à interferência do Governo no negócio da PT/TVI e ali criticou fortemente a linha editorial das publicações da Ongoing, em especial do Diário Económico. Ontem soube-se que Agostinho Branquinho, deputado do PSD e ex-vice-presidente do grupo parlamentar, renunciou ao mandato de deputado para "ponderar" o convite da Ongoing Brasil. A "transferência" indignou o Bloco de Esquerda e o PCP, mas esbarrou no silêncio das bancadas do PS, CDS e PSD, apesar do incómodo indisfarçável entre alguns deputados. Para João Semedo, deputado do BE e relator da comissão de inquérito, esta opção pessoal do deputado cria uma "situação política". "Todos vimos Agostinho Branquinho a questionar a natureza da linha editorial das publicações da Ongoing que sustentavam as posições do Governo", apontou Semedo, considerando que a situação espelha "o bloco central de interesses no seu melhor". Em Portugal, a Ongoing detém o Diário Económico e a Económico TV. No Brasil, a empresa tem interesses nos media e nas novas tecnologias. No mesmo tom, o PCP condena a "promiscuidade". "Independentemente do cumprimento das regras que, segundo o que está noticiado, está a ser feito relativamente ao estatuto dos deputados, consideramos que é uma situação que agrava todos os indícios públicos destas relações de promiscuidade que não devem existir", disse o deputado João Oliveira. Agostinho Branquinho rejeitou, por seu turno, qualquer conflito de interesses. E assegurou que "não há processo mais claro, transparente e ético" do que este. "Das minhas decisões, e daquilo que eu fiz na comissão de ética, não resultou qualquer benefício ou nenhum prejuízo para qualquer grupo empresarial português. Os deputados não tomam decisões executivas sobre o que quer que seja, apenas escrutinam", afirmou aos jornalistas. Questionado sobre o seu protagonismo na comissão de inquérito em que a empresa para onde agora vai foi visado, Agostinho Branquinho referiu que "a intervenção da Ongoing na TVI é posterior ao abandono do negócio da compra da TVI por parte da PT e da atitude rocambolesca do Taguspark". O deputado rejeita ainda qualquer comparação com a situação do antigo ministro socialista Jorge Coelho, que aceitou dirigir a construtora Mota-Engil depois de tutelar as obras públicas. "Nunca fui ministro de coisa nenhuma, sou deputado, os deputados não têm funções executivas, têm que escrutinar a actividade da administração pública e fazer as leis", afirma. Em relação ao convite da empresa, o deputado diz que só depois de deixar o Parlamento as conversações prosseguem, embora admita ao PÚBLICO que tenha estado recentemente em São Paulo, no Brasil, a propósito da proposta profissional da Ongoing. A primeira abordagem ao deputado por parte do presidente do grupo Ongoing, Nuno Vasconcelos, aconteceu há cerca de um mês num almoço em Lisboa. "Foi nessa altura que combinámos que, para adiantar conversações, eu teria de renunciar ao mandato de deputado", explica. Agostinho Branquinho foi jornalista de O Comércio do Porto, realizador de informação e editor na RTP, nos anos 1980. Foi deputado entre 1983 e 1985, e voltou ao Parlamento na anterior legislatura (2005-2009). Já nesta legislatura, deixou de ser vice-presidente da bancada com a actual direcção liderada por Miguel Macedo. Teve a seu cargo o dossier dos media e é conhecido por ser um acérrimo defensor da privatização da RTP.
in Público
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Be afraid, be very afraid...
A escola EB1 de Várzea de Abrunhais, Lamego, que no passado ano foi escolhida pela Microsoft para integrar a rede mundial(!) de escolas inovadoras foi encerrada. Os 32 alunos que a frequentavam e tinham acesso a wireless e onde os Magalhães (apesar de Magalhães) trabalhavam ligados a um quadro interactivo, viram-se transferidos para uma "nova" escola sem internet! Nem telefone! Este ano, a Microsoft já escolheu duas outras escolas portuguesas: a Secundária de Lagoa (Açores) e a EB 2,3 de Nevogilde (Lousada). Vá lá meninos (e meninas), comecem já a pensar onde querem estudar no próximo ano, quando também estas duas escolas forem encerradas.
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Aprendam a fazer contas
Mark Hurd, ex-presidente executivo da HP, visto que se demitiu na passada sexta-feira, após ter sido acusado de violar regras de conduta da empresa ao incluir despesas pessoais na conta da empresa (entre US$ 1.000 e US$ 20.000), vai receber 40 milhões de dólares (US$ 40.000.000) de indemnização (?!). Eu percebo muito pouco de matemática e gestão e finanças e tudo, mas não teria sido melhor uma reprimenda escrita? Feitas as contas, saía mais barato o Mark continuar a violar as regras de conduta. Se a moda pega vai começar tudo a portar-se mal para ficar rico. Belo exemplo!
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Se a moda pega...
Começou com o nobéle (assim, mesmo, em minúsculas) da Literatura. O português (leia-se Lanzarotês) Saramago bateu as botas e logo de seguida os seus livros passaram a ser interessantes e bem escritos e merecedores de atenção e curiosidade por parte do público. As vendas mais do que decuplicaram (quer dizer que passaram a ser dez vezes mais, para o atrás citado público perceber). Ao ver esta maravilha, logo alguém se haveria de lembrar de fazer o mesmo. Um pouco como com os suicídios, há um efeito de imitação. Na semana passada, foi o actor António Feio. Tal como tinha acontecido com o senhor do nobéle, logo a sua obra se alterou radicalmente, a ponto de ser tão boa que justificasse a transmissão de várias peças por ele representadas em vários canais de televisão nacionais. Também os DVDs e livros nos quais tem alguma participação devem começar a vender que nem pãezinhos quentes numa madrugada de Inverno. É investir, pessoal! Apostem no próximo defunto e ganhem uns euritos a vender primeiras edições das suas obras! É como na Bolsa, mas menos arriscado... a não ser que os próximos sejam vocês!
sexta-feira, 9 de julho de 2010
E são eles defensores da Natureza...
Foi ontem demolida a casa que a mulher do secretário de estado da justiça (assim mesmo, em minúsculas) tinha perto de Azeitão, em pleno Parque Natural da Arrábida (como é que a conseguiu lá construir não interessa para nada). A operação de demolição demorou três horas, faltando apenas remover os escombros. Queixou-se a senhora de que "tinha possibilidades para efectuar a demolição em condições mas não a deixaram". Que condições?! Em menos de três horas? Deixe lá, já está! Não pense mais nisso! Vamos ver é se o Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade, para além do entulho, vai também aspirar toda a zona. Rui Passos, arquitecto amigo da atrás referida senhora, membro de uma associação criada em 2002 para contestar as demolições anunciadas para o local, criticou este Instituto por optar por uma solução que "iria provocar uma enorme nuvem de pó e provocar danos na vegetação da zona envolvente". Completamente de acordo. Que se construa casas de férias, tudo bem. Se se constrói, é tudo terraplanado e deixa de haver vegetação para danificar. Agora derrubar construções ilegais é que não, porque vão "sujar as plantas"...
quinta-feira, 8 de julho de 2010
O que custa ter um filho
Cristiano Ronaldo (o jogador de futebol portug... madeirense) anunciou recentemente através da internet que foi pai. Surgiram novas notícias sobre este caso que apaixona e interessa muito mais a opinião pública que outro qualquer assunto. Qual escândalos na política e na justiça, qual insegurança, qual fogos, qual derrame de petróleo ou erupção vulcânica. O pai babado diz que está felicíssimo, que é algo que sempre quis, um dos sonhos que lhe era mais caro (€12.000.000, para ser mais preciso, pelo que dizem). Assim se compreende o facto de assim que a criança nasceu a ter levado logo para casa da mãe, no Algarve, enquanto ele próprio ia passear por New York com a namorada. Faz sentido. De tão emocionado, até podia assustar a criança. Para não falar do facto de ser giro ter um filho mas quando se pode fazer coisas de gajo com ele, tipo jogar à bola ou ir à praia com ele para atrair miúdas (acham sempre que um tipo com uma criança ao colo é sensível e de confiança). Além disso, é mais agradável dar uma queca com uma modelo que mudar uma fralda a um bebé. Já que a mãe e o resto da família andam a viver à custa dele, bem podem retribuir um bocadinho e serem eles a aturar as birras e ter o trabalho com o puto.
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Tão amigos que eles eram...
O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, disse hoje em Estrasburgo que a oposição do Executivo comunitário à 'golden share' detida pela Estado português na Portugal Telecom é uma questão meramente jurídica, e não política "e muito menos ideológica". Questionado sobre o assunto durante uma conferência de imprensa no Parlamento Europeu, Durão Barroso respondeu desta forma às recentes críticas do primeiro-ministro José Sócrates, que acusou a Comissão Europeia de manter nesta matéria "posições ideológicas ultraliberais". Lembrando que a posição de Bruxelas sobre as 'golden shares' é "o entendimento de há pelo menos uma década da Comissão Europeia", ou seja, de que estas violam o direito comunitário. Durão Barroso acrescentou que o seu executivo "tem o dever de agir quando há uma violação do direito comunitário", pelo que esta é uma questão jurídica. "Para nós é uma questão puramente jurídica, não é uma questão política e muito menos uma questão ideológica", declarou. O presidente da Comissão apontou ainda que quinta-feira será conhecida a sentença do Tribunal de Justiça da União Europeia sobre o caso concreto da PT, na sequência da queixa apresentada por Bruxelas em 2005 contra o Estado português, e garantiu que "a Comissão vai aplicar a decisão" do tribunal, qualquer que ela seja, porque é dever de Bruxelas "fazer aplicar o direito comunitário". Parece que afinal isto já não é tão "porreiro, pá!"
Subscrever:
Mensagens (Atom)
