terça-feira, 15 de junho de 2010

Regresso ao passado



A crise que tem vindo cada vez mais a afectar o país, a Europa, o mundo, está a tomar proporções alarmantemente assustadoras (diria mesmo assustadoramente alarmantes). De todos os sectores se erguem vozes a apontar razões e soluções, sugestões e repreensões. No meio de todas as coisas más, uma boa tem vindo a querer emergir: a movimentação, a intervenção activa, a procura de caminhos alternativos. Uma das vozes que primeiro surgiu a insurgir-se contra a apatia e conformismo nacional foi a de Fátima Campos Ferreira. As segundas-feiras têm sido desde há algum tempo dias em que na caixa que mudou o mundo (para pior) algo de positivo e construtivo surge para nos dar confiança e força anímica para enfrentar de frente as adversidades, sob a designação de Prós e Contras, na forma de confronto de ideias e posições de uma forma esclarecedora e (quase sempre) educada, apesar do elevado número de políticos que por lá passam. Foi imbuído deste espírito que ontem me sentei frente ao televisor para mais um momento de reflexão sobre os problemas sérios e relevantes da nossa sociedade. O tema do programa pareceu-me promissor. Promessa essa que se esfumou ao perceber que o assunto "sério e relevante" era a participação no campeonato do mundo de futebol (sim, tudo em minúsculas!). O único bastião onde se resistia a esta febre do pontapé-na-bola tombou também, vítima quiçá da exigência popular e dos imperativos das audiências exigidas. Hello! São duas dúzias de fulanos semi-analfabetos a correr em cuecas durante hora e meia atrás de uma pele de porco cheia de ar! Após a eleição de Salazar como o português mais importante de todos os tempos, o primeiro-ministro (sim, uma vez mais, tudo em minúsculas!) a tentar emular o comportamento do Presidente do Conselho do Estado Novo (sim, em maiúsculas!), temos agora o regresso deste jardim à beira-mar plantado aos 3 F's: "Futebol, Fátima?! Foda-se!"

terça-feira, 1 de junho de 2010

Um sogro do melhor


Não se compreende realmente a perpetuação do estereótipo dos sogros, essas criaturas malfazejas e quezilentas que apenas querem infernizar a vida de genros e noras. Temos agora um caso que é exactamente o oposto e logo todas as vozes se levantam para o atacar. Andam a acusar o Presidente do Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana, Nuno Vasconcelos, por ter anulado parte (nem foi a totalidade, note-se!) de um concurso para técnicos superiores em que o genro chumbou na prova de conhecimentos (não se percebe como, se o rapaz até conhece o Presidente, o tenham chumbado numa prova em que o que importa são os conhecimentos, mas enfim…). O senhor Presidente até já negou a (alegada) tentativa de favorecimento, tendo afirmado que falou “várias vezes com o júri a pedir para toda a gente passar à segunda fase”. Toda a gente! Toda a gente, meus amigos! Isto é porventura demonstração de favorecimento?! Isso seria se o senhor Presidente pedisse, quiçá sugerisse, porventura ordenasse, que apenas o genro passasse à segunda fase! Não bastava estes ataques como ainda por cima a Ministra do Ambiente comunicou ontem ao senhor Presidente Nuno que não vai ser reconduzido na presidência do Instituto. Podem dizer que terá a ver com isto mas estão enganados, é apenas coincidência. A prova é que o Ministério do Ambiente afirma não conhecer estes factos e a Ministra não despede o Presidente (o que faria concerteza em caso de corrupção), apenas não o reconduz.

Há quem ande "oh tio, oh tio!" e há quem ande "oh pai, oh pai!"


O atelier de arquitectura Risco, a que estava associado o actual vereador do Urbanismo da Câmara Municipal de Lisboa Manuel Salgado e que actualmente é dirigido pelos seus filhos, vai participar no concurso para o novo terminal de cruzeiros de Lisboa. Entre os sete elementos do júri deste concurso, que escolherá o vencedor (que receberá mais de €1.000.000,00) por ajuste directo, encontra-se um arquitecto nomeado pelo acima referido vereador (“papá”, para os concorrentes). Não se inquietem no entanto os espíritos maldosos. O senhor arquitecto-vereador-papá já afirmou que “não sabia que o atelier ia concorrer ao terminal de cruzeiros”, o que ninguém pode colocar em causa, sabendo nós como é grande a falta de comunicação entre pais e filhos nos dias que correm. Além disso, acrescentou ainda que “esse é um projecto do Estado, não é da CMLisboa, e isso faz toda a diferença”. Também esta uma verdade irrefutável. Se fosse um projecto da CMLisboa, a percentagem que caberia a cada um dos munícipes seria muito elevada. Sendo um projecto do Estado, a dividir por todos os portugueses, é irrisório!

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Inflação generalizada



Nem as temperaturas escapam a estes aumentos generalizados. O Governo já anda a exagerar. É o IVA, o IRS, o IRC, as portagens, os transportes... agora até a temperatura? Ninguém merece!

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Mafalda, a contestada



Anda tudo em polvorosa por esta jovem ter sido contratada com um vencimento mensal de €4.088,00, acrescido de IVA, através de um despacho com data de 6 de Maio a produzir efeitos desde 5 de Abril. Esquecem-se que não tem subsídio de férias, nem de Natal, que é apenas um contrato a prazo, que a coitadinha vai ter de dar o corpinho ao manifesto (salvo seja, suas mentes depravadas) no gabinete do Sr. Secretário, onde ficará a fazer estudos e consultas, importantes e necessários ao bom e harmonioso desenvolvimento da Nação. Ora dizem que o Estado não cria emprego e quando o faz é com salários de miséria, ora dizem que só arranja é empregos à medida e com grandes salários. Decidam-se, co'a breca!

quarta-feira, 26 de maio de 2010

O Príncipe da discórdia




Concordo com todos aqueles que têm levantado a voz contra a escolha do actor que protagoniza esta passagem ao cinema das aventuras bem conhecidas dos entusiastas de jogos de computador. É de facto incompreensível que o Príncipe da Pérsia não seja persa! Ou pelo menos indiano. Ou árabe. Monhé, no mínimo. Ou arraçado. Ou que gostasse de chamuças. E nem me façam falar do facto do actor ser originário duma república! Não vou ser intransigente ao ponto de exigir que fosse mesmo um príncipe mas pelo menos que fosse um duque. Quiçá um marquês. Porventura um conde. Eventualmente um visconde. Talvez um barão. No mínimo um senhor. O que não se admite é ter um filme com este título enganador! Nem pensem que me convencem com o argumento que no jogo original o príncipe era branco e loiro! Está decidido, não vou abdicar das minhas convicções, vou escolher outra película que não enferme deste óbvio xenofobismo, onde os actores sejam de facto um reflexo real da personagem que interpretam. Alguém sabe onde posso ver o Avatar?

terça-feira, 25 de maio de 2010

Graça'Deus, né?


Confesso que me estava a preocupar o facto já faltar pouco para o início do Mundial de futebol. Como acontece desde 2004, quando os brasileiros começaram a invadir a selecção, começou já a corrida às lojas (e aos baús) para arranjar tudo o que tenha a ver (ou não) com este evento: bandeiras com os sete fogareiros conquistados aos Mouros (made in China), vuvuzelas artesanais em plástico (made in China mas exportadas via África do Sul, com um preto de beiça vibrante para mostrar como se utilizam), camisolas com as cores nacionais (actuais ou antigas) e os nomes dos jogadores (actuais ou antigos). Começaram também as campanhas de apoio à selecção: compre um balão por €0,50 num hipermercado, compre um canudo de plástico por €1,00 num posto de gasolina, ajude os gestores das emp... a selecção! Felizmente que ontem os rapazes me sossegaram: vou ter de aturar dois, talvez três jogos com a vizinhança a fazer barulho, a puxar pela equipa e depois vai ser um sossego até ao final, quando já estivermos de fora do Mundial e se puder ver algum futebol a sério com tranquilidade. Só espero que os finalistas sejam Europeus. Com a minha sorte ainda vou ter o país a torcer pelos brasileiros (isto está pejado deles!), nem que seja pela consolaçãozinha de "ser um país irmão e falarmos a mesma língua" (nem uma coisa nem outra são verdade, mas pronto...).